O Partido Verde surgiu
no Brasil, em 1986, na cidade do Rio de Janeiro. A idéia
partiu de um grupo de ecologistas, artistas,
intelectuais e ativistas, principalmente do movimento
antinuclear. Boa parte dos membros que ajudaram a dar
origem ao Partido Verde no Brasil passou pelo exílio
durante o regime militar. E, nesta época, mantiveram
contato com os movimentos ecologistas e alternativos da
Europa. O retorno dos exilados deu um forte impulso ao
movimento, mas não conduziu de imediato à organização de
um Partido político Verde. Erroneamente, pensava-se que
a política Verde poderia ser executada dentro dos
partidos de esquerda, tão somente.
Com o fim do regime militar, em 1985, surgiu
um novo ambiente político que acabou por estimular a
organização política dos Verdes. Dentro dos movimentos
ecologistas da época, o debate em dar forma ou não a um
Partido Verde foi longo e áspero.
No começo de 1986, um grupo composto por
escritores, jornalistas, ecologistas, artistas e também
por ex-exilados políticos começou a dar forma ao PV. As
circunstâncias políticas da época eram muito positivas,
levadas por influência das idéias ecologistas e
alternativas que vinham da Europa, especialmente dos
Verdes da Alemanha Ocidental.
Em 1986
Embora legalizado, o Partido Verde
não participou das eleições de novembro de 1986. Apesar
disso, no Rio de Janeiro, em uma aliança informal com o
PT, o PV disputou as eleições para governador do Estado.
Foi uma campanha maciça e entusiástica porque, pela
primeira vez no Brasil, nas tevês e nas ruas, foi visto
manifestações por uma política ecológica, alternativa,
feminista, anti-racista, defensora dos direitos gays,
pela reforma da legislação sobre drogas, entre outras
atitudes não conservadoras, que sempre foram as
bandeiras dos movimentos verdes em todo o planeta.
A reação foi dura e a candidatura Verde
recebeu oposição forte através da mídia conservadora,
especialmente na questão da descriminalização da maconha.
A campanha teve seus momentos espetaculares, como por
exemplo, o contingente de 100 mil pessoas no memorável
abraço ecológico à Lagoa Rodrigo de Freitas.
Naquela eleição, o candidato do PV obteve 7,8%
dos votos e ficou em terceiro lugar. Os verdes elegeram
também seu primeiro deputado estadual (RJ).
Em 1987
Após as eleições de 1986, o Partido
Verde expandiu para outras regiões. Em 1987, foi
organizado em São Paulo e Minas Gerais e deu seus
primeiros passos para o norte e nordeste. Foi naquela
época também que tiveram de enfrentar problemas de ordem
interna. Os verdes funcionavam bem como um movimento,
fazendo ações diretas, criando fatos de impacto, etc.
Mas quando veio a necessidade de montar as estruturas
estáveis, formais e regulares, necessárias para
organização do partido, a situação ficou difícil.
Em 1988
Um dos maiores problemas foi legalizar o PV,
dado ao fato das dificuldades impostas pela legislação
eleitoral vigente. No começo de 1988 o partido obteve
seu registro legal provisório e participou das eleições
municipais. Nestas eleições, Os Verdes elegeram 20
vereadores, distribuídos entre os estados de Rio de
Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Paraíba.
Foi em 1988 que o partido expandiu para outras
regiões do país, especialmente na região da Amazônia,
onde os Verdes tinham como aliado o líder dos
seringueiros, Chico Mendes. Ele sempre esteve muito
próximo do PV, que vivenciou seu esforço incondicional.
Chico Mendes participou, como observador, em diversas
reuniões e convenções e discutia a possibilidade de
filiar-se ao PV e disputar uma vaga para deputado no
estado no Acre na eleição de 1990. Foi morto em 1988. O
crime tomou a atenção de todo o planeta. Internamente,
inflamou uma polêmica feroz que confrontava os
ecologistas e os resquícios da ditadura militar, que
ainda se mantinham vivos, na administração do então
presidente da republica.
Em 1989
Em 1989 os brasileiros votaram para presidente
pela primeira vez, desde 1960. O PV enfrentou um período
extremamente difícil de discussões, de esforços e de
confrontos internos sobre o que fazer. A princípio se
desenhou uma campanha que teria Lula (PT) para
Presidente e o vice do PV. Por pressões internas, o PT
se contrapôs à candidatura a vice indicada pelos Verdes.
Nesta situação, a posição interna dentro do PV mudou e a
idéia de um candidato Verde para presidente ganhou força.
O Verde escolhido foi Herbert Daniel, ativista dos
direitos civis, substituído posteriormente, por motivos
de saúde.
Com apenas 15 segundos de tempo na tevê, sem
nenhuma estrutura financeira, a campanha presidencial
Verde teve pouco impacto e eficácia perante o eleitorado,
mesmo porque, a maioria habitual dos eleitores Verdes,
decidiu pelo voto útil, beneficiando outros candidatos
como Lula, Leonel Brizola e Mário Covas, que tentavam
assegurar presença no segundo turno contra o então
candidato, Fernando Collor. Os Verdes obtiveram neste
pleito, menos do que 1% dos votos. No segundo turno
apoiaram a campanha da esquerda (PT), derrotada por uma
margem estreita de votos.
Em 1990
As perspectivas para as eleições de 1990 eram
promissoras. Os Verdes esperavam eleger pelo menos cinco
deputados federais e dez deputados estaduais. Alguns
artistas filiaram-se ao PV. Mas em maio 1990 Os Verdes
sofreram um brutal e fatídico golpe, provindo da Justiça
eleitoral, que recusou conceder o registro provisório ao
partido. Diversos outros partidos tinham obtido este
tipo de renovação antes, mas os juízes decidiram de
outra maneira e os Verdes foram proibidos de existir,
legalmente.
Este episódio, decisivamente, impediu o
crescimento dos Verdes, como era esperado. Ainda em
1990, impedido mais uma vez de usar sua própria legenda,
o PV carioca filiou um de seus ativistas ao PDT e
conseguiu, pela primeira vez, eleger um deputado federal
(33 mil votos).
Em 1992
Durante a conferência de UNCED RIO-92
o PV brasileiro promoveu a primeira reunião planetária
dos Verdes. Foi a primeira vez que os Verdes de todo o
planeta se encontraram para trocar experiências.
Nas eleições municipais de outubro de 92, os
Verdes elegeram 54 vereadores em todo o país e três
prefeitos em pequenas cidades do Estado de São Paulo.
Após as eleições, alguns membros do PV foram convidados
para dirigir secretarias de meio ambiente em vários
municípios, inclusive em algumas capitais de estado como,
Rio de Janeiro, Salvador e Natal.
Em 1993
Em 30 de setembro de 1993, o Partido Verde
obteve seu registro definitivo junto à Justiça Eleitoral
Brasileira.
Em 1994
Nas eleições presidenciais de 1994, o PV
apoiou o candidato derrotado (PT). Elegeu um deputado no
Parlamento(PV-RJ). Também elegeu três deputados
estaduais; um em Minas, um na Paraíba e um em São Paulo.
Em 1996
Nas eleições municipais de outubro de 1996, o
PV elegeu 13 prefeitos em pequenas cidades dos Estados
de São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão, Pernambuco, Mato
Grosso do Sul e Minas Gerais; 189 vereadores
distribuídos em 15 estados da federação. Em dois
municípios de São Paulo, os prefeitos Verdes fizeram
seus sucessores.
A maior cidade com uma administração Verde,
até então, passara a ser Rio Claro, no Estado de São
Paulo, com uma população de 160 mil habitantes, e
posteriormente, Guarulhos (1998), também no Estado de
São Paulo, com uma população 1,1 milhão de habitantes (o
vice-prefeito (PV) assumiu o cargo deixado pelo prefeito
em exercício).
Em 1997
Os Verdes definitivamente cresceram em
representatividade com a filiação do ex-prefeito de
Vitória e então governador do Estado do Espirito Santo,
que deixou o PT em agosto e em setembro do mesmo ano,
filiado ao PV, passou a ser o primeiro Governador Verde
do Brasil.
A situação política nacional dava com folga
uma vitória fácil para a reeleição do presidente em
exercício. A terceira tentativa do candidato do PT, no
sentido de conduzir uma aliança das esquerdas foi
duramente criticada e acusada de ser mais um manobra
para manter a hegemonia do seu partido (PT), do que para
ganhar realmente as eleições.
Depois que as negociações políticas de
alianças com os partidos se esgotaram, mais uma vez, os
Verdes decidiram apresentar candidatura própria à
Presidência da Republica. Desenvolveu-se uma campanha
pequena, de três meses, sem financiamento, que serviu
mais para ajudar a promover o programa e as agendas do
PV.
Em uma eleição, novamente com muita pressão
pelo voto útil, dividiu-se os votos entre o atual
presidente e os dois candidatos da oposição. O candidato
Verde chegou em sexto lugar, entre doze candidatos, com
213 mil votos. A contagem presidencial precedente dos
Verdes tinha sido 125 mil votos, em 89. Nesta eleição,
os Verdes também disputaram os cargos para governador e
senador em cinco estados da federação. Em 23 estados,
disputaram vagas para os parlamentos estaduais e
federal. O PV RJ reelegeu seu deputado federal. Mas nos
outros estados, embora alguns outros candidatos tivessem
tido bom desempenho, não foi o bastante para elegê-los.
Quatro deputados Verdes foram eleitos para os
parlamentos estaduais; no Rio, São Paulo, Bahía e
Paraíba.
Em 2000
O Partido Verde teve um crescimento
substancial de votos nas eleições municipais de 2000,
aproximadamente 1,8 milhões, na somatória entre os votos
de legenda, para prefeito e vereadores. Em números de
votos válidos, os Verdes ficaram com a 13º colocação,
entre os 30 partidos existentes. Mas, ainda continuaram
discretos nos números de prefeituras e vereadores.
Elegeram novamente 13 prefeitos e elevaram suas cadeiras
nos parlamentos municipais para 315 vereadores.
Assumiram por 120 dias uma cadeira no Senado através do
suplente (PV-AC),
Em 2002
O Partido Verde teve um crescimento
substancial nas eleições de 2002, foram eleitos 5
Deputados para a Cãmara Federal: 2 por São Paulo, 1 pelo
Rio de Janerio, 1 pela Bahia e 1 por Mina Gerais.